terça-feira, 29 de abril de 2008

Fábula moderna do poder

Deus queria fazer modificações na relação céu e inferno e mandou chamar o diabo para uma reunião. O diabo de saco cheio com as intermináveis reuniões de deus, que resolveu imitar Lula por ver nele alguém a sua imagem e semelhança, mandou o seu chefe de gabinete como representante. Ao chegar à mesa de negociações e apresentar-se, o subalterno do diabo irritou profundamente a deus. Sentindo-se ultrajado em seu poder de mandar e desmandar, deus resolveu punir o diabo. Levou o representante de lúcifer para assessorá-lo no céu.

MORAL DA HISTÓRIA – Você sempre ganha algo quando está no lugar do chefe.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Sem rancho; por amor à Ilha

A neblina baixa me impede
Ver a cidade
A neblina baixa me pede
Imaginar
A neblina densa me sufoca
Excesso de ar
A neblina que pesa me foca
No navegar
A neblina enfumaça
Embaça
A neblina me passa
Abraça
A Ilha em imaginário
Sonhada
A Ilha fora do armário
Reencontrada

sábado, 26 de abril de 2008

Você é nomofóbico?


A modernidade exige uma adaptação morfológica da língua que transcende os idiomas. Aliás, sempre se fez isso, mas agora as explicações são menos acadêmicas. Pergunte a um catedrático em língua portuguesa o que é um nomofóbico? Se ele não estiver “plugado” no mundo moderno, ou melhor, contemporâneo, a morfologia de tal palavra escapará ao conhecimento. Fobia é fácil. Mas o quê é “nomo”?

“Nomo” é uma abreviação inglesa de “no mobile”, ou, literalmente, sem celular. Juntando a corruptela ao mais puro latim “phobia”, a contemporaneidade cria o termo “nomofóbico”, ou, ao pé da letra, mais ou menos, que tem pavor de ficar sem celular. Abaixo, dez perguntas básicas do blog para saber se você é ou não um "nomofóbico”.

Responda honestamente. Você está só e sem espelho.


1- Sente a mão suar quando descobre que esqueceu o celular?
2- Atende dirigindo, afinal se é uma comunicação móvel é para automóvel?
3- Tocam juntos o telefone com fio e o celular e você atende primeiro o celular?
4- Não consegue mais atender o telefone com fio porque não dá pra ficar andando de um lado para o outro?
5- Fica nervoso quando vê que a bateria está para terminar?
6- Entra em pânico quando está numa ligação e ouve o bip da bateria?
7- Carrega o celular sempre junto do corpo com medo que toque e não dê tempo de atender?
8- Escreve melhor e mais rápido no teclado do celular para enviar mensagens do que no computador?
9- Vive ligando para a operadora para ver se ainda tem créditos suficientes no pré-pago?
10- Tem sempre dois celulares e de operadoras diferentes com medo que um fique fora da área?

Se você respondeu sim a qualquer das perguntas, procure urgentemente a sua operadora de celular e mude seu plano para mais minutos. Você é dependente.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Homem moderno

Marido em frente ao aparelho de televisão ouve da mulher:

- Querido vamos sair essa semana para jantar fora?

- Claro, vamos sim. Faz tempo que não saímos. É só escolher o dia.

- Que tal na terça?

- Não dá, amor. Terça-feira tem jogo da libertadores no 139.

- Então na quarta?

- Se tá brincando? Quarta-feira meu time joga, passa no 300.

- Tá bom ... pode ser quinta?

- Poxa, na quinta queria assistir o campeonato daqui, afinal estou pagando.

- Sexta?

- Nada feito. Na sexta passa o replay da conquista do mundial no 123.

- Então, esquece. Vamos ao shopping no sábado?

- Nem morto. Trocar meu futebol pelo shopping. Vai você, amor.

- Já sei. Já sei. Domingo e sagrado.

- Isso mesmo, dia de ir ao estádio. Aprendeu, né.

- Então pode ser na próxima segunda?

- Segunda nunca. Segunda é o dia da pelada com os amigos.

- Desisto, vou pedir a separação.

- Você vive dizendo que tenho que fazer exercício para perder a barriga da cerveja e fica toda emburrada porque na segunda-feira vou jogar futebol com os amigos. Não da mesmo pra entender as mulheres. Quem desiste sou eu.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Modernidade

Inventaram o chip do celular
Pra que não te roubem
Criaram a frente falsa do som
Pra que não te roubem
Desenvolveram alarmes de carros
Pra que não te roubem
Buscaram sistema de criptografia
Pra que não te roubem
Aperfeiçoaram a democracia
Pra que não te roubem
Mas eles te roubam
O tempo

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Somos futebolômanos

Dizer que o homem brasileiro é viciado em futebol é de uma obviedade colegial. Mas digo mais: é um vício sem tratamento e estimulado desde que nasce. Pai que é pai compra o uniforme do seu time para o filho homem antes do primeiro ano de vida. Se duvidar, antes do primeiro mês. Começou o vício. Mais que argentinos, franceses, alemães, italianos e ingleses, os inventores das regras do futebol, mas esses inventam regras para tudo, o brasileiro assume o vício pelo “esporte bretão” e não quer nem ouvir falar em tratamento.

Talvez a explicação por essa “paixão” esteja na memória atávica. O futebol é como se fosse uma batalha, uma luta entre tribos que substituiu os embates ancestrais. Analisando o jogo, o futebol é sempre com muito contato físico, correria, marcação corporal e busca de espaço. Às vezes, extrapola o campo de batalha e se espalha para os assistentes, virando mesmo uma batalha entre torcedores.

Nessa situação, o atávico extrapola o lúdico e vira real, mas não é a regra. Futebol e dentro de campo. O objetivo principal do jogo, levar a bola para dentro do gol do adversário, é a verdadeira conquista de território, deixando o inimigo caído no campo de batalha, olhando a vitória momentânea do outro.

Pense nos times de futebol. São exércitos de onze homens, uniformizados, com um brasão no peito e defendendo uma bandeira e as cores escolhidas. Como uma nação, cada um tem seu hino que é entoado pelo torcedor apaixonado. Fora do campo, os torcedores com suas bandeiras e ”gritos de guerra” incentivam os “heróis da batalha” para a conquista. Não é apenas um jogo de 90 minutos, é uma conquista sobre o time rival, a derrota do inimigo imaginário.

Se o homem brasileiro é viciado por futebol, e isso já sabemos, com  a transmissão do esporte pelas televisões a cabo esse vício saiu do consumo socialmente aceito das quartas-feiras e domingos, para uma “chapação” diária dentro de casa. Para o viciado, tem jogo todo dia. Tem droga sempre e ao alcance do controle remoto.

Na sagrada hora do jogo não há mais família, não há filhos, esposa ou qualquer outra coisa a não ser a liberação da memória ancestral das batalhas, da adrenalina, do lúdico, da luta imaginária. E por pior que seja a “pelada”, libera a química do cérebro que leva ao êxtase, transformando o homem comum num “futebolômano”.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Que o Direito seja pelo direito

Os arquitetos da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), sob a chancela do sub-procurador Geral da República, Cláudio Fonteles, que desde 2005 quer impedir a pesquisa com células-tronco embrionárias no Brasil através de ação no STF, já concluíram o modelo de acesso dos portadores de necessidades especiais às igrejas do país (ver esboço abaixo). Os equipamentos devem começar a ser implantados assim que o STF vote pela inconstitucionalidade do artigo 5 da Lei de Biossegurança. Atualmente a votação está parada por pedido de vistas do ministro Carlos Alberto Menezes Direito. Só cabe esperar que o ministro vote pelas vidas de milhares de pessoas que podem ser salvas com as pesquisas. Que vote DIREITO.



Pela liberação imediata das pesquisas com células-tronco embrionárias para que muitos não tenham que, a cada acordar, pensar esse cadafalso.



domingo, 13 de abril de 2008

Sobre frases e beijos




Odeio a frase feita:

Um beijo no coração

Gosto de beijos

Na boca

No rosto

Na testa

Que seja

Com emoção

Na boca por prazer

No rosto pra sentir

Na testa de admiração

Agora ...

No esquerdo do peito

Tá feito

É beijo de tesão.

sábado, 12 de abril de 2008

Algo sobre fantasmas

Os verdadeiros fantasmas são aqueles que não conseguimos acomodar na cama.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Envelhecida




Ando tão muda como uma porta

Que já não fecha de inchada

Pelo contraste das estações

Do inevitável passar do tempo

Apenas bate e rebate

Ferindo-se no batente

Sem vedar a greta

Que deveria ser secreta

Por onde a luz da manhã me acorda

domingo, 6 de abril de 2008

Como um jesus


Como ninguém fala

Sobre o futuro

Se cala

Sob o obscuro

Medra

Com medo da pedra

Pedro

Eu, solitário

“Na merda”

Espalho o segredo

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Deu na imprensa

Ainda sobre a questão do direito de fazer pesquisa com célula-tronco embrionária, que está parado no STF, não podemos calar e deixar que nos calem.



Pela liberação imediata da pesquisa com célula-tronco embrionária no Brasil.
A favor da VIDA.







03 de abril de 2008
Diário do Leitor - Jornal Diário Catarinense


Células-tronco


Mesmo ainda tendo que derrubar barreiras arquitetônicas e físicas para terem direito à dignidade humana, os portadores de necessidades especiais têm que lutar contra as barreiras dogmáticas defendidas por uma parcela da Igreja na questão do uso de células-tronco embrionárias em pesquisas científicas. A situação é parecida com o Brasil Colônia, quando a Igreja convertia índios e negros, mas não permitia que os recém-batizados assistissem às missas. Como naquela época, tudo é uma questão econômica, em que a fé e a vida são usadas para defender interesses. No caso das pesquisas com célula-tronco embrionária, já feitas há anos em vários países, quem estará pagando para atrasar nossa pesquisa?


Francisco Kuneski

Jornalista - Florianópolis

terça-feira, 1 de abril de 2008

Egomotricidade



Caí na esquina, sozinho
Tropeçando no cruzar dos caminhos
Levantei-me do outro lado
E eles sozinhos
Olhando torto um só caminho
Segui, em zigue-e-zague
Para ter a certeza
Que ele não me derrubaria