domingo, 16 de novembro de 2008

Terceiro tempo

Num domingo a noite
Como por açoite
Tive que agüentar
A ignorância argumentar
O jocoso comentarista
Que já foi jogador
Entre sorrisos, vociferar:
“Tá em cadeira de rodas e tá inteiro?”

Num domingo a noite
Só por açoite
Vou revidar
A incompetência do comentar
Do pseudo artista
Neto, que já foi jogador
E entristecido, sussurrar
“Ta em cadeira de rodas, mas é certeiro”

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Futebol é coisa dos homens

A crescente exploração da fé pelos jogadores de futebol no Brasil com seus atos, camisetas com mensagens e exaltação do nome “do senhor” sempre do seu lado faz parecer que deus deixou de ser brasileiro para ser de um só brasileiro, no caso aquele atleta. Está ficando cada vez mais comum goleiros ajoelhados com os dedos para o alto como dois pára-raios celestes captando a proteção divina. Agem como se o gol, a fonte maior da alegria e delírio do futebol, que estão lá para evitar, seja algo diabolicamente ruim.


Atentemos também para as camisetas debaixo dos uniformes dos times usadas por alguns jogadores. Trazem grafado uma exaltação a palavra “deus”. Servem como um colete protetor com forças extraterrenas. São espécies de armaduras abençoadas, como dos cavaleiros cruzados que dizimavam os mulçumanos em nome da igreja cristã. Os jogadores fazem questão de mostrá-las quando dos gols, das comemorações, sabendo que serão captadas pelas lentes das câmaras de televisão e fotógrafos, que replicarão suas “mensagens de deus”.

Isso sem falar nas entrevistas depois dos jogos. “Graças a deus nosso time venceu”. Ou: “ganhamos porque o senhor está do nosso lado”. Ou ainda: “o gol foi obra de deus”. Mas então, deus está escolhendo determinados jogadores? Está, descaradamente, torcendo por esse ou aquele time? Premia somente os atletas “evangélicos” que pregam a necessidade da fé nele em atos, palavras, mensagens?

Estão se tornando cada vez mais comuns as expressões: deus ganhou...deus guiou meu chute...deus está sempre do nosso lado... E do lado dos adversários quem se coloca, o diabo? Perde-se ou ganha-se um jogo humano por interferência de forças divinas? Nelson Rodrigues teria razão e existe realmente um “sobrenatural de Almeida” que baixa nos campos de futebol?E na sua melhor forma, como deus?

Tenho que confessar uma paixão até cega por futebol, sempre a tive. E até por força dessa paixão penso que deus, se realmente existir, se diverte com esse jogo dos homens e com seus 22 atores como meros jogadores de pebolim, sem, contudo manipulá-los, deixando que a bola decida por seus destinos.