segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A perereca é da vizinha



Pode comentar quem gosta de perereca. Calma. Não ruborize. Nada de ter pensamentos libidinosos, pois a perereca em questão é um animal, mais precisamente um “anuro” que habita matas, até jardins e acasala no verão.

Ao contrário do que se pensa, perereca não é hermafrodita; como a minhoca. Existe o anfíbio macho, indispensável para a procriação da espécie, que não exige ser chamado de o “perereco”. Ao contrário da presidente que insiste em ser "presidenta". Mas, o assunto não é política.

O tema principal é sexo, sexo das pererecas. Para atrair a perereca, o perereca passa as noites de verão entoando “cânticos” de acasalamento, que varam a madrugada. Verdadeiras serenatas anfíbias, que podem chegar a decibéis mais incomodativos que os gemidos do sexo humano.

O perereca, querendo conquistar a perereca, pode acabar com o sono de humanos e humanas, com seu cantar estridente, agudo e contundente. Conforme fundamental matéria do Fantástico, isso está acontecendo na maior metrópole do Brasil. Em pleno concreto de São Paulo o acasalamento das pererecas está impedindo o sono humano. Coisa desumana.

Revoltados com o prazer das pererecas, homens e mulheres, reclamaram para os órgãos responsáveis pela preservação do meio ambiente. A prefeitura, do PT, alega que não trata do problema da perereca e que a questão é de responsabilidade do Governo Estadual, do PSDB. O Estado diz que não criou a perereca, que, segundo biólogos, não é nativa e sim imigrante, não tendo, por tanto, responsabilidade sobre o problema, que é Federal.

E as pererecas e os pererecas, alheios aos debates políticos, continuam sua sinfonia de acasalamento, se reproduzindo ruidosamente.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Daltonismo arbitrário

A conversa mais recorrente em todas as rodas futebolísticas durante todo os campeonatos, séries A e b, do futebol brasileiro foi sobre arbitragem. Estranhamente, não se digladiou rivalidades. Não se discutiu representantes de Estados. Não se falou de...futebol.
 
Nas mesas de bar o assunto predominante foi a mão na bola ou a bola na mão. O pênatil marcado; ou deixado de ser marcado em lances absolutamente iguais. Ou quase iguais. A igualdade do diferente estava na cor da camisa. No escudo desenhado. Na arena da contenda.
 
A mesma mão na bola em um campo não era a mão em outro. As áreas foram sempre diferentes, dependendo da camisa que defendeu; ou atacou. O gramado, com suas marcas de cal absolutas, mudava as linhas, já não tão absolutas. As camisas apagavam ou acendiam as linhas num daltonismo arbitrário. Um distúrbio ótico que contagiava cinco ao mesmo tempo e no mesmo lance.
 
Os campeonatos nacionais, séries A ou B, não poderiam ter se encerrado sem o flagrante “daltonismo” arbitrário. Esses olhares disformes dos apitadores, na última rodada, foram vistos, sem “daltonismos”, por milhões de torcedores.
 
O braço do zagueiro de costas de um time vale mais que o braço do zagueiro de frente de outro time. Curiosamente, os dois braços ajudaram um só time de São Paulo. A mão proposital do centroavante não é vista; a do goleiro,vista, provoca a expulsão. Os “trança-pé” de um lado é penalidade máxima; de outro é segue o jogo.
 
O “daltonismo” arbitrário dos quintetos escolhidos pela CBF confundiu os campeonatos brasileiros A e B. Confundiu as camisas em campo com as camisas das arquibancadas. Confundiu as mãos em verdadeiras, como se usa no jargão futebolísticos,  “passadas de mãos”.