sábado, 28 de maio de 2016

O Jazz da bola

A nota solta no ar. Uma nota sonora. Outras notas. Como Jazz o som da bola. Largada no vazio. Despretensiosa.  Sobe. Voa. Escorrega. Contraria a gravidade. Aguda. Média. Grave. Rotativa. Translativa num eixo vertical. Uma nota.

O que encanta é o momento. O movimento. O som feito do silêncio. Da espera. Da angustia. Da nova nota. Que sempre vem. Chuá. A resposta sonora das redes. As redes gostam de tocar com as bolas. São jazzísticas. Harmônicas.
Ficam esperando o momento exato de compor a magia sonora. Da percussão do toque. Grave. Do roçar sibilado no movimento contínuo. Do agudo do lance. Do “background” da torcida extasiada pelos sons. Pelas junções.
Assim são as bolas. Adoradoras dos sopros geniais. Da criatividade. Da essência do movimento, calmo, sensual, fugaz ou visceral. As bolas não gostam do mesmo, do lateral, do esmo. São agudas como o bom jazz. Inquietas e inquietantes.

Lindo ver uma bola livre, no seu próprio giro de emoção. Uma bola solta pela imaginação da criança, que a adotou como companheira, do adolescente que se imaginou crescendo com ela, como companheira, do adulto, ainda com o gosto de criança. Vivendo com o sonho da companheira.
A bola sempre encantadora. Mágica. Imitação do globo terrestre. Uma nota solta e etérea, no espaço e no tempo. Mundialmente Universal.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Experiência


Mandaram-me encorpar
Encorpei
Mandaram-me crescer
Cresci
Mandaram-me aprender
Aprendi
Pedi para me ir
Mandaram-me ficar
Desobedeci
Já me tinha aprendido


 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A inquisição dos políticos

A perseguição dos honestos no Brasil virou obsessiva. Todos os políticos acusados por crimes “agiram estritamente dentro da Lei” e “nunca cometeram” quaisquer dos crimes que lhes foram, ou estão sendo, imputados. Foram ou continuam sendo vítimas de tribunais de exceção.

Collor, Lula, Dilma, Pimentel, Cunha, Renan e até Maluf são meros perseguidos por inimigos políticos. Cada um ao seu tempo. Mas sempre declarando agir “estritamente dentro da Lei.” Dura Lei.

Collor se disse perseguido por Lula, quando o PT mobilizou a militância para pedir seu impedimento. Perdeu o mandato. Voltou e tornou-se aliado do PT e está sendo novamente “acusado injustamente”. Lula se diz perseguido pelos que não suportaram “um operário” como presidente. Dilma acusa de “golpistas” os que a denunciam e vão julgar sua improbidade. Pimentel alega complô de quem perdeu a eleição.

Já Cunha tenta mudar o jogo e acusar os seus acusadores. Revanche. A mesma que o PT o acusa pelo pedido de impedimento de Dilma. Renan se diz tranquilo, nada será provado, pois nunca cometeu crime. Tem reputação intocável, segundo sua defesa.

Chegamos a Maluf. A prova contundente que ser honesto no Brasil é bastante perigoso. Sobrevive as acusações, processos e até pedidos internacionais de prisão por desvios de dinheiro público como a da princesa Odette, do Lago dos Cisnes. Com a leveza de sempre sustentar sua inocência.

Os desonestos do país são os pagadores de impostos de todas as profissões, os emprenderes, os investigadores, os procuradores, os promotores, os juízes. Os trabalhadores. São perseguidores dos políticos ilibados. Existe um grande complô nacional contra “a honestidade” na política.