domingo, 4 de março de 2012

Sem os cem

Tudo era perfeito. A arena cheia. O clima quente. O adversário combalido. Bastava um chute. Uma bola certeira. Um grito de gol. Para fazer sua história. Um único e derradeiro balançar da rede para chegar a marca emblemática. Cem. Cem gols com a tricolor camisa do Joinville. Para fazer sua história. Para entrar na história.

O suor do calor de verão alimentava o desejo. O camisa nove corria. Brigava. Lutava, feito um gladiador na arena para dar a alegria à torcida e a si próprio. Era a marca a ser alcançada. Nada poderia dar errado. Era sua casa. Era seu gramado. Era sua torcida. Era sua hora.

E, nesse palco bem montado, veio o momento. O lance perfeito. O passe perfeito. O toque perfeito da bola no pé. Dentro da grande área, com a visão plena do gol, do goleiro, da rede a ser estufada. O toque do pé na bola para vencer o marcador. Um corpo que ficou para trás. O único que lhe impediria.

Ergueu a cabeça para a certeza de tudo. Da trave. Da distância. Do goleiro. Do espaço vazio. Uma fração de segundos que só os artilheiros sabem usar para tantos cálculos precisos. Para ser preciso. Era preciso. Cabeça erguida. Chute decidido. Os olhos brilhando a marca definitiva dos cem gols com aquela camisa. A perna recolhida, como o cão da arma a fuzilar o adversário.

No memento perfeito, mas inacabado, tudo parou para Lima. O jogo parou. O grito da torcida parou. A vida parou. Nos sete metros e trinta e dois centímetros da trave uma tela. Não mais uma meta. Uma projeção.

Cada um dos noventa e nove gols do centroavante projetados em câmara lenta diante do seu olhar petrificado na única meta. De craque. Do toque preciso. De cabeça. De peito. De carrinho. Meio sem querer. Até de bico. Gol é gol. Foram noventa e nove com a camisa do Joinville.

Seria o seu centésimo. Sua marca para ficar na história. Sua gloria. A perna esticou precisa para a estilingada. Armada. A perna precisa, que não errava. O movimento. O preciso momento. O grito eufórico da torcida. Gol. Mas não sentiu o beijo da bola. Rudnei, o defensor adversário, afoito, roubou-lhe o prazer da marca, da história, do centésimo gol.




Lima (C) "comemorando" o gol do Joinville na vitória de 5 a zero sobre o Marcílio Dias. Ele não marcou nenhum.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Frases da Jornada




Depois de três derrotas seguidas
o Ovelha transformou
o Leão da Ilha em cordeiro


Sabe porque o Vasco é o time bacalhau?
Porque nunca está na cabeça

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Deivid, o ladrão de sonhos

Eram apenas duas vidas. Distintas. A bola e a rede. Vidas cheias; vidas vazias. A bola de ar, de inspiração, do ataque. De fazer cantar em uníssono a torcida com o surdo som esfuziante de emprenhar a rede. Encher. Esticar. Estufar. Dar vida a sua insignificância estática. A rede quieta, mas inquieta no desejo de ser acarinhada pela bola, no escorregar macio do êxtase da torcida em delírio de um único grito:

- Golllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll.

Eram apenas duas vidas. Distintas. Uma pedindo. Outra implorando. Subservientes aos caprichos dos homens. Dos deuses. Do imponderável do futebol. Duas vidas unidas pelo desejo único, acabado, perfeito, do encontro. Do gozo coletivo. A catarse que só as duas juntas poderiam provocar:

- Gollllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll.

Eram apenas duas vidas. Distintas. Duas desconhecidas. Duas esquecidas pelo desleixo. Pelo desprezo. Pela inexatidão da falta do zelo. Pela preguiça. De olha-lhas, em um só átimo, precioso para entender a importância de sua união. Da bola estufando a rede. Da rede abraçando a bola. Da alegria de gemido coletivo de:

- Gollllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll.

Inacreditavelmente, para as duas vidas. Duras vidas. Deivid, o centro-avante, suprimiu da bola e da rede o prazer único de darem alegria. Acarinhando-se, malemolentes, ao cantar eufórico da torcida. Preferiu a trave. Dura como sua “perna de pau”.


Vejam o desespero da bola e da rede

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Desinspirado

Minha poesia está distante

Reticente

Sem mais instante

Dolente

Preguiçosamente a minha espera

Eu, litigante

Insolente

Sem mostrar quem a venera

Inconsequente

Perdendo minha primavera

Carnavalescas

Em domingo de pré-carnaval

O “fo leão” foi-se

No balanço do
furacão

Na Ressacada

Enressacou-se

Empáfia argentina e enganação

Chiko Kuneski Existe uma piada da época em que não havia o politicamente correto que diz: “o melhor negócio do mundo é comprar um argent...