No correr da carruagem
quinta-feira, 11 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Da sabedoria do envelhecer
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Imagem da paixão
O melhor beijo é o medido
Mensurado, mas incontido
Provocador e sentido
Para não ser o beijar perdido
Deve vir primeiro do olhar
Do quase tocar
Do prever o prazer do beijo
Tem que ser sempre o primeiro
Mesmo que pela eternidade
Pelo átimo da eterna idade
Um beijar derradeiro
segunda-feira, 25 de março de 2013
Obrigado, doutores
A
propalada busca pela longevidade moderna com as novas descobertas da ciência e
da medicina força o homem a querer viver muitos e muitos anos além, até porque precisa disso para alcançar a cada
vez mais longínqua aposentadoria. Depois de uma certa idade começamos a ter
muitos amigos médicos. Não, são médicos amigos. Pelo menos é o que imaginamos.
No mínimo, no mínimo, aos quarenta estreitamos laços com o nosso cardiologista,
com o ecocardiograma, o colesterol, o triglicerídeos, e as inúmeras taxas que
nunca sonhamos que existinssem.
Caso
dermos o azar das taxas estarem alteradas o cardiologista nos apresenta mais um
médico amigo: o endocrinologista. E ai as taxas que medem nossa saúde (ou seria
a falta dela?) se multiplicam. Mas olhemos pelo lado positivo. Temos pelo menos
mais dois “amigos” para visitar no mínimo a cada seis meses. Claro que eles,
solidários, nos apresentam ao farmacêutico amigo. E assim nossa rede de
amizades começa a crescer em ritmo geométrico.
Na
sequencia vem o urologista. Depois dos 45 anos temos obrigação de cuidar
rotineiramente da próstata e descuidar, digamos assim, de outra parte da
anatomia que cuidamos com extremo o carinho a vida toda. Pelos menos alguns.
Mais um médico amigo e esse de uma amizade especial porque somente com ele expomos
nossa intimidade plenamente, deixamos os preconceitos. Isso se não somos
apresentados ao proctologista.
Tantas
preocupações com nosso corpo que precisa estar na melhor forma possível para
que cheguemos a aposentadoria acabam gerando tensões musculares e dores. Mas
nada que um bom ortopedista amigo não resolva com sua abnegação e um
antiinflamatório, que pode interferir na pressão arterial e nos leva a visitar
o cardiologista amigo com mais frenquencia. E, como às vezes é impossível
controlar os efeitos colaterais ele nos salva com mais químicos e o
farmacêutico amigo vira um confidente rotineiro.
O
pneumologista, o angiologista, o dermatologista, o oftalmologista, que vai nos
ajudar a continuar vendo a longínqua aposentadoria, e outros tantos. Seguimos
os anos amealhando médicos amigos até que nos apresentam o neurologista, porque
começamos a esquecer dessas amizades cultivadas por anos seguidos.
Provavelmente nessa etapa da vida já chegamos a tão almejada aposentaria, mas,
certamente, não sabemos mais direito o que fazer com ela.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Do solitário
Olho o mundo pela janela
Mas já nele não me vejo
Sinto-me um percevejo
De mim mesmo
Alimentando-me da solidão
Fico apenas olhando a esmo
Procurando-me na multidão
Que passa, repassa e me transpassa
Com sua pressa sob minha janela
Sem permitir encontrar-me nela
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Fechado pra balanço
No final do dia, nada mais pensava
Cansado de tanta informação
Desencontrada
Soluçava minha gastrite
Por tanta convulsão
Doía-me a atrite
A bursite, a constipação
Afogado, eu suspirava
Mas o meu país já não me vinha
Nem em vinha; nem em vinho
Sem saída, me dopava
Em pílulas, pesadelava
Noite à fora
Tentando acordar na hora
De reencontrarem o caminho
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