terça-feira, 7 de abril de 2015

O ódio está em que fala; não quem ouve


A nova propaganda política do Partido dos Trabalhadores (PT) veiculada na televisão começa com uma máxima: “tem gente que odeia PT”.


Não odeio partidos. Abomino mentiras repetidas.

O “drops televisivo” diz que há quem seja contra o PT porque melhorou a vida do pobre e isso “enfurece” o rico. Vende um país de conquistas econômicas, quando a inflação está alta e corrompe até o parco dinheiro que o trabalhador colocou na caderneta de poupança.

Hoje os rendimentos da poupança são consumindo pela inflação alta e, indistintamente, pobres e ricos, perdem. Mais os pobres. Até mesmo com as maiores taxas de juros praticadas nos últimos anos.

Direitos históricos dos trabalhadores como o seguro desemprego, auxílio doença e pensões por morte são suprimidos ou reduzidos. O pobre é punido duas vezes: ao perder o emprego e ainda não poder contar com o amparo das contribuições ao sistema que fez por uma vida.

Diz o apelo televisivo que nunca tantos corruptos estão atrás das grades, mas omite propositalmente que a maioria está ligada a esquemas do partido para financiar campanhas.

Prega conquistas pelo acesso às universidades, mas esconde que milhares desses estudantes terão que abandonar sua qualificação por má gerência nos programas de financiamento educacional, assumido até pela presidente em pronunciamento.

Não dissemino o ódio. Ao contrário; sou democrático e sempre a favor do diálogo. Quem usa ódio como uma couraça de oprimido o faz propositalmente para refratá-lo contra os que discordam do seu modo de pensar e agir.

O ódio vem mais de quem fala dele do que de quem, democraticamente, ouve.

terça-feira, 10 de março de 2015

Sou classe média, branco, urbano e cidadão. Tenho o direito de protestar!


Por Chiko Kuneski

Desde a campanha presidencial para a reeleição de Dilma o marqueteiro do “partido da estrela” criou um conceito de ódio, disseminado amplamente nas redes sociais, que dividiu o Brasil. Criaram a inverdade dos ricos com ódio dos pobres, dos brancos contra os negros, da burguesia (sic) antagônica crônica dos trabalhadores. Com seu conceito “odioso” o marketing petista imputou a quem lhe faz oposição um ódio que vem de suas hostes contra a coragem de discordar de seu pensamento hegemônico.


Assumo. Sou classe média, branco e urbano (não burguês, pois não vivo nos burgos europeus dos séculos XI e XII), mas, acima de tudo, um cidadão brasileiro que tem, democraticamente, o direito e até o dever, de se manifestar e protestar quando está sendo lesado e atacado pela corrupção e pelo desgoverno.

 
Fui às ruas contra a ditadura e a favor das DIRETAS JÀ, querendo a plena democracia e o direito de livre expressão. Estava na luta pelo impedimento do presidente Fernando Collor de Mello, que é bom lembrar os petistas apoiaram, mas que agora como Senador faz parte da base aliada de Dilma. Exigi e exijo, como brasileiro, o fim da corrupção política no país, em todos os âmbitos.


Em todas essas manifestações defendendo a DEMOCRACIA fui, como sou, classe média, branco e urbano, um cidadão útil, mas agora querem me transformar num golpista por pensar diferente e discordar do totalitarismo da estrela.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Narrativa sem sentido de um mundo em decomposição

Estilo Bukowski

Meu celular vibrou, intenso
Depois tocou, estridente
Mas o celular não é meu
Apenas comprei e dei-lho
Quem ganhou o presente gritou, estridente
Acho mesmo que entre dentes
- “é contigo"!
Mas não era comigo
Do outro lado da linha uma voz feminina
Afável, me saúda com um
- “tudo joia”?
Não era joia, nem diamante, era falso brilhante
Verborreicamente, sem deixar minha mente respirar
A voz feminina está alegre com minha sorte
Logo eu um azarado
Alerta que fui sorteado.
Mas, sempre tem um porém na vida do azarado
Para ter a sorte tinha que pagar por ela
Bastava recarregar meus créditos, para ganhar
Mais créditos.
Minha vida sempre foi de débitos
Reneguei
Educadamente desconversei e declinei da sorte
Insistência
A voz feminina não aceitou minha resistência
Acreditei mais no meu azar que na minha sorte
Neguei
A voz feminina passou de doce a ousada
Inconveniência
Agitada, vociferou:
- “se não quer é que é burro e não sabe fazer conta”
De certo modo a voz feminina no celular
Descobriu que não sou bom em contas
Prefiro meus contos.
CK

domingo, 18 de janeiro de 2015

O justo julgamento


Faz tempo procuro uma metáfora para a decisão por pênaltis num jogo de futebol. Talvez seja julgamento. Um julgamento sem jure, sem árbitros. Um ato único onde promotor e defensor se confrontam na mesma defesa. Da euforia.

É um ritual que julga sem provas. Apenas se atenta às destrezas. Do promotor que vai impor sua tese à bola, tentando que ela convença a rede. Do outro lado, o defensor, que conversa com a bola ao pé do ouvido, procurando demover seu ímpeto, impiedoso, de convencer a rede com as astúcias do promotor.

Um jogo de astúcias que começa no lento caminhar do cobrador, o promotor, e da paciência do goleiro, o defensor. Um caminha pensando como vai convencer a bola a seu favor, passo por passo, do meio do campo até o púlpito da cobrança do pênalti. O outro, apenas observa a caminhada e tenta entender quais argumentos serão usados para convencer a bola. Ele, às vezes, até conversa com as traves. Mas elas não julgam.

 No movimento dos corpos. Nos olhos nos olhos. Nas faces. Cobrador, promotor, e goleiro, defensor, se estudam. Não falam. Não precisam convencer jurados. A sentença será dada pela bola.

A bola é a verdadeira juíza que vai exprimir a decisão do julgamento decisivo. Somente a bola. Cabe ao promotor e ao defensor convencerem-na.

 CK

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Pigmentos



Meus olhos lacrimejam

Mas não estou triste;

Inversamente

Meus olhos lacrimejam

Pela luz,

Pelo azul, horizontal

Meus olhos lacrimejam

Feridos por mistura de cores

O azul do céu acinzenta

Opaca o verdejar acastanhado

Meus olhos lacrimejam

Lágrimas transparentes

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A perereca é da vizinha



Pode comentar quem gosta de perereca. Calma. Não ruborize. Nada de ter pensamentos libidinosos, pois a perereca em questão é um animal, mais precisamente um “anuro” que habita matas, até jardins e acasala no verão.

Ao contrário do que se pensa, perereca não é hermafrodita; como a minhoca. Existe o anfíbio macho, indispensável para a procriação da espécie, que não exige ser chamado de o “perereco”. Ao contrário da presidente que insiste em ser "presidenta". Mas, o assunto não é política.

O tema principal é sexo, sexo das pererecas. Para atrair a perereca, o perereca passa as noites de verão entoando “cânticos” de acasalamento, que varam a madrugada. Verdadeiras serenatas anfíbias, que podem chegar a decibéis mais incomodativos que os gemidos do sexo humano.

O perereca, querendo conquistar a perereca, pode acabar com o sono de humanos e humanas, com seu cantar estridente, agudo e contundente. Conforme fundamental matéria do Fantástico, isso está acontecendo na maior metrópole do Brasil. Em pleno concreto de São Paulo o acasalamento das pererecas está impedindo o sono humano. Coisa desumana.

Revoltados com o prazer das pererecas, homens e mulheres, reclamaram para os órgãos responsáveis pela preservação do meio ambiente. A prefeitura, do PT, alega que não trata do problema da perereca e que a questão é de responsabilidade do Governo Estadual, do PSDB. O Estado diz que não criou a perereca, que, segundo biólogos, não é nativa e sim imigrante, não tendo, por tanto, responsabilidade sobre o problema, que é Federal.

E as pererecas e os pererecas, alheios aos debates políticos, continuam sua sinfonia de acasalamento, se reproduzindo ruidosamente.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Daltonismo arbitrário

A conversa mais recorrente em todas as rodas futebolísticas durante todo os campeonatos, séries A e b, do futebol brasileiro foi sobre arbitragem. Estranhamente, não se digladiou rivalidades. Não se discutiu representantes de Estados. Não se falou de...futebol.
 
Nas mesas de bar o assunto predominante foi a mão na bola ou a bola na mão. O pênatil marcado; ou deixado de ser marcado em lances absolutamente iguais. Ou quase iguais. A igualdade do diferente estava na cor da camisa. No escudo desenhado. Na arena da contenda.
 
A mesma mão na bola em um campo não era a mão em outro. As áreas foram sempre diferentes, dependendo da camisa que defendeu; ou atacou. O gramado, com suas marcas de cal absolutas, mudava as linhas, já não tão absolutas. As camisas apagavam ou acendiam as linhas num daltonismo arbitrário. Um distúrbio ótico que contagiava cinco ao mesmo tempo e no mesmo lance.
 
Os campeonatos nacionais, séries A ou B, não poderiam ter se encerrado sem o flagrante “daltonismo” arbitrário. Esses olhares disformes dos apitadores, na última rodada, foram vistos, sem “daltonismos”, por milhões de torcedores.
 
O braço do zagueiro de costas de um time vale mais que o braço do zagueiro de frente de outro time. Curiosamente, os dois braços ajudaram um só time de São Paulo. A mão proposital do centroavante não é vista; a do goleiro,vista, provoca a expulsão. Os “trança-pé” de um lado é penalidade máxima; de outro é segue o jogo.
 
O “daltonismo” arbitrário dos quintetos escolhidos pela CBF confundiu os campeonatos brasileiros A e B. Confundiu as camisas em campo com as camisas das arquibancadas. Confundiu as mãos em verdadeiras, como se usa no jargão futebolísticos,  “passadas de mãos”.

Empáfia argentina e enganação

Chiko Kuneski Existe uma piada da época em que não havia o politicamente correto que diz: “o melhor negócio do mundo é comprar um argent...