segunda-feira, 23 de maio de 2016

Experiência


Mandaram-me encorpar
Encorpei
Mandaram-me crescer
Cresci
Mandaram-me aprender
Aprendi
Pedi para me ir
Mandaram-me ficar
Desobedeci
Já me tinha aprendido


 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A inquisição dos políticos

A perseguição dos honestos no Brasil virou obsessiva. Todos os políticos acusados por crimes “agiram estritamente dentro da Lei” e “nunca cometeram” quaisquer dos crimes que lhes foram, ou estão sendo, imputados. Foram ou continuam sendo vítimas de tribunais de exceção.

Collor, Lula, Dilma, Pimentel, Cunha, Renan e até Maluf são meros perseguidos por inimigos políticos. Cada um ao seu tempo. Mas sempre declarando agir “estritamente dentro da Lei.” Dura Lei.

Collor se disse perseguido por Lula, quando o PT mobilizou a militância para pedir seu impedimento. Perdeu o mandato. Voltou e tornou-se aliado do PT e está sendo novamente “acusado injustamente”. Lula se diz perseguido pelos que não suportaram “um operário” como presidente. Dilma acusa de “golpistas” os que a denunciam e vão julgar sua improbidade. Pimentel alega complô de quem perdeu a eleição.

Já Cunha tenta mudar o jogo e acusar os seus acusadores. Revanche. A mesma que o PT o acusa pelo pedido de impedimento de Dilma. Renan se diz tranquilo, nada será provado, pois nunca cometeu crime. Tem reputação intocável, segundo sua defesa.

Chegamos a Maluf. A prova contundente que ser honesto no Brasil é bastante perigoso. Sobrevive as acusações, processos e até pedidos internacionais de prisão por desvios de dinheiro público como a da princesa Odette, do Lago dos Cisnes. Com a leveza de sempre sustentar sua inocência.

Os desonestos do país são os pagadores de impostos de todas as profissões, os emprenderes, os investigadores, os procuradores, os promotores, os juízes. Os trabalhadores. São perseguidores dos políticos ilibados. Existe um grande complô nacional contra “a honestidade” na política.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Caverna contemporânea


Perdemos

A capacidade de ler

Nas mídias sociais

Navegamos imagens

Que dissocializam

O pensar;

A escrita;

Pelo olhar

Da não dita

Viramos prés

Inihistóricos

Na busca do passado

Pré-histórico

De comunicar no rabisco

Da imagem imaginária

Para o futuro

Somos gravuras encadernadas

Em coloridos binários

Da caverna tecnológica

Ilógica

Que não permite rodar

Por falta do conceito da roda

Que não deixa arder

Por desconhecer a chama

Que ignora o ler

Pela preguiça da escrita

Cada vez mais proscrita

 

terça-feira, 29 de março de 2016

Entre o vazio cheio e o cheio de vazio

Submergiu na maré


Vazante

Sabendo que dá pé
Deixando o olhar

Vigilante

A espera da nova maré
Que vem com a lua

                                    Crescente

Para boiar à praia
Aquecendo-se ao sol
Insurgente

sexta-feira, 18 de março de 2016

Verborragia do brasileiro


Poderia parar aqui com esse único verbo.  Mas foi tanta verborragia que não me cabe apenas um. Mentiram-me. Enganaram-me. Esculhambaram-me. Por fim, e não para porem fim, ridicularizaram minha inteligência.
Zombaram do que mais prezo. Minha capacidade intelectual. Tentaram extirpar meu discernimento como charlatões que dizem fazer transplantes de cérebros. Buscaram lobotomizar-me. Sem anestesia.

Tentaram e continuarão tentando. O lograr, sempre logrando. O mentir, sempre mentido. O enganar, sempre enganando. O ludibriar, sempre ludibriando. O ceifar aquele que ainda está pensando. Mas, no descuido, esqueceram do principal verbo: anestesiar.

Agora acordei. Abri os olhos .Respirei fundo. Saí da letargia, que agia.
Agora...
... O Reagente sou eu.

Texto de Chiko Kuneski

quinta-feira, 10 de março de 2016

Volver a frente


O conceito de "direita e esquerda" (ordem alfabética) está ultrapassado pela estrutura econômica, e portanto,  política, que rege o século XXI. Acabou o espaço do maniqueísmo ideológico, usado tanto por um quanto por outro, na nova revolução tecnológica. A velocidade da informação e do seu acesso globalizou as ideias, os conceitos. Acabou expurgando o anacronismo, que se alimentava da demora do movimento das novas teorias sociológicas.

Em alguns países ainda persiste tal anacronismo do pensamento de setores que se apoderaram do Estado “pai” e se empoeiraram dele etereamente, como um vício do pó que cai de suas ideias. Viciados, acham que o Estado é o messias alucinógeno e salvador. Querem detê-lo (no sentido de ter pra si e não parar) custe o que custar. A fuga da realidade que contraria a realidade.

Perderam a capacidade criativa e inovadora para a reprodutiva. Replicadores do passado com palavras de ordem pretéritas e preteridas pelo pensamento contemporâneo mundial. Vomitam vociferações. Vomitam rótulos quando esses lhe servem ideologicamente. Vomitam porque não conseguem entender novos sabores democráticos. Vomitam sempre o anteontem.

O vômito esvazia. Provoca insaciabilidade. Angustia. Mas ainda existem os que preferem continuar buscando o alimento ideológico que só os faz vomitar, sem alimentar. São os dos conceitos com preconceito.  Os arraigados. Os que preferem a mama.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Palavre ando

Já me indaguei porque escrevo?

Esforço inútil , se não leem

Talvez nem as palavras,

Que se auto ditam

Voltam para corrigir-me

Mas, escrevo, escrevo, escrevo

Há os que o fazem por dinheiro

Os escritores por ideologia

Como os solitários mundanos

Ou...

...os que escrevem por inteiro

Os que dialogam com as palavras

Ela sempre têm uma boa história a ser contada

CK

Empáfia argentina e enganação

Chiko Kuneski Existe uma piada da época em que não havia o politicamente correto que diz: “o melhor negócio do mundo é comprar um argent...