quarta-feira, 22 de junho de 2016
domingo, 5 de junho de 2016
Nossos heróis
Cada vez que morre um
famoso que marcou vidas; nasce um ídolo, um herói de carne e osso. Um mito
materializado na fantasia de menino ou na lembrança de adulto. Vivemos dos
mitos. Dos deuses criados. Dos heróis. Foi o dia de Muhammad Ali. O golpeador
do convencional. Transgressor. Dançarino. Malhador a remoldar o retilíneo do
duro vigor dos adversários.
Meu primeiro e grande herói
tem nome de um deus grego: Dionísio, o deus agricultor das uvas e do vinho, mas
também um representante não convencional da sociedade , do rompimento poder. Na mitologia grega, o único deus filho de uma
mortal. Até os deuses morrem. Os heróis são imortais.
Meu primeiro e grande herói
tem nome de um deus grego: Dionísio, o deus agricultor das uvas e do vinho, mas
também um representante não convencional da sociedade , do rompimento poder. Na mitologia grega, o único deus filho de uma
mortal. Até os deuses morrem. Os heróis são imortais.
Comecei falando de um
ídolo do tubo, mas prefiro continuar com um herói que abraçava. Meu pai. Sem superpoderes,
sem magia, sem ser guerreiro, mas com a maior virtude humana: festivo. Somente os
festivos são transgressores. O ranço leva a mesmice. Ao comum. O ídolo midiático
e meu herói palpável tinham isso em comum.
Festivo talvez devesse
ser o maior adjetivo do herói terreno. Alegre. Honesto. Sensível. Pacífico,
amigo e respeitador. Mesmo quando golpeava o ferro em brasa para moldar as
formas.
Meu grande herói era
apenas um metalúrgico. Um construtor de instrumentos que construíam sonhos. Desejos.
Erguiam mundos. Um inventivo do duro metal retilíneo. Um idealizador tridimensional
do plano. Simples, mas com o conceito do mais requintado escultor. Um moldador.
Forjava a forma. Construía o forte.
Começou carregando-me
nos ombros num momento mágico do menino apaixonado pelo futebol na conquista do
tri, 1970. Nos ombros por não poder andar. Fez-me voar. Depois deu-me muletas, asas
de aço construídas de sua curiosidade e seu conceitos de deus humano e de homem
metalúrgico. Forjador. Deu-me a sabedoria conselheira. A alegria genética
festiva, herdada pelo nome de um deus grego.
Foto do martelo artesanal me presenteado por meu pai Dionísio.
sábado, 28 de maio de 2016
O Jazz da bola
A nota solta no ar. Uma
nota sonora. Outras notas. Como Jazz o som da bola. Largada no vazio. Despretensiosa.
Sobe. Voa. Escorrega. Contraria a
gravidade. Aguda. Média. Grave. Rotativa. Translativa num eixo vertical. Uma
nota.
O que encanta é o
momento. O movimento. O som feito do silêncio. Da espera. Da angustia. Da nova
nota. Que sempre vem. Chuá. A resposta sonora das redes. As redes gostam de
tocar com as bolas. São jazzísticas. Harmônicas.
Ficam esperando o momento
exato de compor a magia sonora. Da percussão do toque. Grave. Do roçar sibilado
no movimento contínuo. Do agudo do lance. Do “background” da torcida extasiada
pelos sons. Pelas junções.
Assim são as bolas.
Adoradoras dos sopros geniais. Da criatividade. Da essência do movimento,
calmo, sensual, fugaz ou visceral. As bolas não gostam do mesmo, do lateral, do
esmo. São agudas como o bom jazz. Inquietas e inquietantes.
Lindo ver uma bola
livre, no seu próprio giro de emoção. Uma bola solta pela imaginação da criança,
que a adotou como companheira, do adolescente que se imaginou crescendo com
ela, como companheira, do adulto, ainda com o gosto de criança. Vivendo com o
sonho da companheira.
A bola sempre
encantadora. Mágica. Imitação do globo terrestre. Uma nota solta e etérea, no
espaço e no tempo. Mundialmente Universal.
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Experiência
Mandaram-me encorpar
Encorpei
Mandaram-me crescer
Cresci
Mandaram-me aprender
Aprendi
Pedi para me ir
Mandaram-me ficar
Desobedeci
Já me tinha aprendido
sexta-feira, 6 de maio de 2016
A inquisição dos políticos
A perseguição dos
honestos no Brasil virou obsessiva. Todos os políticos acusados por crimes “agiram
estritamente dentro da Lei” e “nunca cometeram” quaisquer dos crimes que lhes foram,
ou estão sendo, imputados. Foram ou continuam sendo vítimas de tribunais de
exceção.
Collor, Lula, Dilma,
Pimentel, Cunha, Renan e até Maluf são meros perseguidos por inimigos
políticos. Cada um ao seu tempo. Mas sempre declarando agir “estritamente
dentro da Lei.” Dura Lei.
Collor se disse perseguido
por Lula, quando o PT mobilizou a militância para pedir seu impedimento. Perdeu
o mandato. Voltou e tornou-se aliado do PT e está sendo novamente “acusado
injustamente”. Lula se diz perseguido pelos que não suportaram “um operário”
como presidente. Dilma acusa de “golpistas” os que a denunciam e vão julgar sua
improbidade. Pimentel alega complô de quem perdeu a eleição.
Já Cunha tenta mudar o
jogo e acusar os seus acusadores. Revanche. A mesma que o PT o acusa pelo
pedido de impedimento de Dilma. Renan se diz tranquilo, nada será provado, pois
nunca cometeu crime. Tem reputação intocável, segundo sua defesa.
Chegamos a Maluf. A
prova contundente que ser honesto no Brasil é bastante perigoso. Sobrevive as
acusações, processos e até pedidos internacionais de prisão por desvios de
dinheiro público como a da princesa Odette, do Lago dos Cisnes. Com a leveza de
sempre sustentar sua inocência.
Os desonestos do país
são os pagadores de impostos de todas as profissões, os emprenderes, os
investigadores, os procuradores, os promotores, os juízes. Os trabalhadores.
São perseguidores dos políticos ilibados. Existe um grande complô nacional
contra “a honestidade” na política.
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Caverna contemporânea
Perdemos
A capacidade de ler
Nas mídias sociais
Navegamos imagens
Que dissocializam
A escrita;
Pelo olhar
Da não dita
Viramos prés
Inihistóricos
Na busca do passado
Pré-histórico
De comunicar no rabisco
Da imagem imaginária
Para o futuro
Somos gravuras encadernadas
Em coloridos binários
Da caverna tecnológica
Ilógica
Que não permite rodar
Por falta do conceito
da roda
Que não deixa arder
Por desconhecer a chama
Que ignora o ler
Pela preguiça da
escrita
Cada vez mais proscrita
terça-feira, 29 de março de 2016
Entre o vazio cheio e o cheio de vazio
Submergiu na maré
Vazante
Sabendo que dá pé
Deixando o olhar
Vigilante
A espera da nova maré
Que vem com a lua
Crescente
Para boiar à praia
Aquecendo-se ao sol
Insurgente
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