Chove uma chuva sem sentido
Chuva sem nexo
Chuva sem vestido
Chuva sem calças
Chovendo sem sexo
Água de verão em inverno
Assexuando as roupas
Molhando,
Transparecendo,
Mostrando
Corpos na chuva
Frios eriçados
Moldados
Tecendo
Em pleno inverno
Desejos quentes
Desperdiçados.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
domingo, 27 de janeiro de 2008
sábado, 26 de janeiro de 2008
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Exumando Exu
O bêbado já fazia parte do mobiliário do bar, sempre sentado na mesma cadeira de costas para a parede dos fundos e de frente para uma das duas entradas do casarão. Nunca se dá as costas para a entrada de um bar, ensinava quando mexiam com sua arraigada posição diária. Com o olhar perdido na porta, que dava vista privilegiada para uma igreja evangélica do outro lado da rua, passava as tardes embalado pelo copo de cachaça amarela.
O primeiro gole era tomado como um remédio que aplacava a tremedeira abstêmia do início do dia. Depois, sorvia a bebida com um prazer que às vezes dava gosto observar. Claro que o corpo já precisava da quantidade diária de álcool, mas havia um prazer confesso em beber a água ardente. Repetia sempre o mesmo ritual. Copo a copo. Pegava cheio, levantava. Ficava alguns segundos olhando com o copo erguido para a prateleira das garrafas, como a proferir uma reza baixa, e tomava o primeiro gole.
Sempre ao final da tarde escolhia alguém do bar, que podia ser outro bêbado, o atendente ou até mesmo o proprietário, olhava fixamente para a vitima através do copo cheio de pinga e, depois de um grande gole, maior que os tomados normalmente, começava a adivinhar o passado ou o futuro do eleito. “Recebo o santo”, dizia calmamente, “tenho o poder da premonição”. Como uma autêntica cigana começava pelo passado, falando coisas que se encaixariam dentro de qualquer vida que freqüentava o bar. Alguns se deixavam levar e confirmavam a adivinhação. Estavam presos na armadilha.
Aproveitava-se do bom ouvido para revelar segredos que qualquer pessoa mais a atenta ouviria nas conversas alcoolizadas das mesas. Mas as palavras eram bem postas, firmes. Sempre assertivas para hipnotizar o seu ouvinte, já maravilhado com o que ele sabia do passado. Alguns se encantavam com as palavras trôpegas da cachaça que contavam coisas sabidas. Quando sentia o convencimento, passava a falar do futuro. Sempre nebuloso e nada claro. Vago o suficiente para ser possível.
Às vezes parava de falar. Olhava fixamente para a igreja da outra esquina, levantava o copo e soltava uma previsão bombástica. Meneava ligeiramente a cabeça, olhava para a prateleira onde sobressaia uma garrafa com rótulo preto e três grandes letras vermelhas: “EXU”. Ria alto, olhava para o copo e calava.
O primeiro gole era tomado como um remédio que aplacava a tremedeira abstêmia do início do dia. Depois, sorvia a bebida com um prazer que às vezes dava gosto observar. Claro que o corpo já precisava da quantidade diária de álcool, mas havia um prazer confesso em beber a água ardente. Repetia sempre o mesmo ritual. Copo a copo. Pegava cheio, levantava. Ficava alguns segundos olhando com o copo erguido para a prateleira das garrafas, como a proferir uma reza baixa, e tomava o primeiro gole.
Sempre ao final da tarde escolhia alguém do bar, que podia ser outro bêbado, o atendente ou até mesmo o proprietário, olhava fixamente para a vitima através do copo cheio de pinga e, depois de um grande gole, maior que os tomados normalmente, começava a adivinhar o passado ou o futuro do eleito. “Recebo o santo”, dizia calmamente, “tenho o poder da premonição”. Como uma autêntica cigana começava pelo passado, falando coisas que se encaixariam dentro de qualquer vida que freqüentava o bar. Alguns se deixavam levar e confirmavam a adivinhação. Estavam presos na armadilha.
Aproveitava-se do bom ouvido para revelar segredos que qualquer pessoa mais a atenta ouviria nas conversas alcoolizadas das mesas. Mas as palavras eram bem postas, firmes. Sempre assertivas para hipnotizar o seu ouvinte, já maravilhado com o que ele sabia do passado. Alguns se encantavam com as palavras trôpegas da cachaça que contavam coisas sabidas. Quando sentia o convencimento, passava a falar do futuro. Sempre nebuloso e nada claro. Vago o suficiente para ser possível.
Às vezes parava de falar. Olhava fixamente para a igreja da outra esquina, levantava o copo e soltava uma previsão bombástica. Meneava ligeiramente a cabeça, olhava para a prateleira onde sobressaia uma garrafa com rótulo preto e três grandes letras vermelhas: “EXU”. Ria alto, olhava para o copo e calava.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
O 171 da ministra do Lula

Clique na foto para ler a íntegra do editorial e saber a esbórdia que fazem com nossos impostos.
O editorial acima é da revista IstoÉ, edição de 23 de janeiro de 2008, assinado pelo jornalista Carlos José Marques.
Estelionato
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.
O editorial acima é da revista IstoÉ, edição de 23 de janeiro de 2008, assinado pelo jornalista Carlos José Marques.
Estelionato
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.
Só para pensar, leitor: Apenas uma coincidência?
Assinar:
Postagens (Atom)
Empáfia argentina e enganação
Chiko Kuneski Existe uma piada da época em que não havia o politicamente correto que diz: “o melhor negócio do mundo é comprar um argent...
-
Ela me olhava sem me olhar Eu a olhava sem me notar Instintivo, caçador Nos olhos dela, vazios Me olhando, sem piscar Num esmeraldino de dor...
-
Amigo, é coisa pra não se guardar É pra se exibir É pra se anunciar Amigo, é pra se ver Pra se ter Pra se preservar Amigo, é pra se manter A...

