sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Não é preciso gritar ao mundo o que você gosta
Noite, apenas o suave barulho da tênue chuva caindo no
asfalto e a janela aberta buscando o respiro de uma brisa no calor de verão.
Tranquilidade. Vontade absoluta que o vento aumente, mas não. Pela janela entra
o ensurdecedor som de uma música desconhecida, reconhecida como música apenas.
Essa aumenta. Um carro de som? Olhar de águia na janela. Nada. Um som no carro.
Um carro comum parado no sinal vermelho.
Manhã, o sono ainda batendo no cérebro mal dormido.
Café com pão dormido. Fila. A chuva da noite, que não veio, mais intensa. Janelas
fechadas. Lotação, lotada. Vontade da brisa que não pode passar. Barrada. Nem o
som da rua penetra. Lotação cerrada. Do lado vem o som de uma música
desconhecida. Reconhecida apenas como música. Ipode. Ai pode.
Tarde, irritação. Irritada do som. Dos sons. De mais
música desconhecida. Não se fala. Se ouve. Não se ouve falas. Máquinas modernas
falando, gritando, invadindo cada privacidade do cérebro. Nem mesmo batendo à
porta. Frequências disformes formando o dia. Cada um na sua frequência.
Absolutamente solitário. Como um pedido de socorro. Para dizer ao mundo o que
você gosta.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
domingo, 29 de dezembro de 2013
Solitário som
A chuva na janela nem mesmo refresca
Mas embala a solidão madrugadora
Mas embala a solidão madrugadora
Viçosa, calma e tênue, vem fresca
Avisando que não será duradoura
Mas tamborila, agradável, o vidro
Fechado para o mundo
Na sua madrugada de som surdo
Cai apenas, sonante
Como uma canção de ninar
Para a solidão e a insônia
Que que teimam nesse acordo absurdo
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
O bisness futebolístico
O sorteio dos Grupos da Copa Libertadores de 2014 certamente
terá duas leituras jornalísticas. Para os esquerdistas de plantão uma festa
fútil, sem a participação do povo, num salão de mesas impecáveis, à quatro
talheres e taças de cristal para os escolhidos, e ainda brindados pela
apresentação de uma orquestra com instrumentos feitos com materiais recicláveis,
vindos do seu lixo. A miséria, mais uma vez servindo aos poderosos.
Já os liberais dirão que é o espetáculo. O uso da orquestra
com instrumentos musicais feitos de materiais reciclável mostra a preocupação de
todo o planeta com o Planeta. Os cristais e os quatro talheres dão a tônica da
importância do evento. O futebol é uma paixão Universal e, como tal, merece
festejos imponentes, de acordo com sua importância na América Latina. É assim
que se faz na Europa e nós temos que ser, pelo menos, parecidos com os
europeus.
Da imagem sobra um som estranho. Garrafas pet, galões de plástico,
madeiras rústicas, fazendo os cristais das mesas vibrarem como um idiofone, num
espetáculo Broadway-circense. Fica a realidade. Cada vez mais o espetáculo do
futebol é mais espetáculo e menos futebol.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
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