quarta-feira, 9 de junho de 2021

Ansiedade


Já me convenci que sou ansioso. Não. Não precisei procurar um especialista para me dizer o que minha ansiedade de saber se sou ansioso já sabia. Me convenci.

Sintomas:

Fico com insônia com medo de perder a hora de acordar no horário do dia seguinte. Mal dormito. E, no matinal cedo,  quando olho o relógio, ansioso, já estou atrasado para um compromisso que está marcado para a tarde. Fico ansioso a espera da tarde.

Quando tenho compromisso pela manhã, que pode ser algo simples como ir a uma consulta médica ou dentária de rotina, com ansiedade de perder o horário, programo o despertador para duas horas, ou mais, de antecedência. O problema é que programo dois dias antes. Acordo assustado. Olho o relógio e levanto já ansioso, mas o calendário mostra que será só amanhã. Fico ainda mais aflito por mais um dia de espera.

Minha ansiedade por notícia me faz só dormir depois da última reprise dos telejornais da noite, já na madrugada. Vá que tenha acontecido algo inusitado. Mas programo o despertador para bem cedo para receber os jornais impressos do entregador. Mesmo sabendo que serão os jornais de hoje com as notícias de ontem. Quando é aquela edição “casada” de fim de semana, sábado e domingo, fica pior: vira o “leia amanhã, o jornal de hoje com as notícias de ontem”.

Com a velocidade das redes sociais é a minha ansiedade ficou bem pior. Às vezes olho o celular para ver uma resposta de algo que ainda nem postei. Quando posto a mão chega a tremer a espera trepidar do vibro de lido. Como agora. Que mal termino de escrever essa crônica ansiosa e já fico aflito, na madrugada de um noite comum esperando um like.

 

CK 9/6/21 – 2h30.

terça-feira, 11 de maio de 2021

sábado, 5 de dezembro de 2020

ORIGAMI, DIÁRIO DE UM TUDO

Escrever. Um verbo que só compreende quem o vive. Como respirar, comer, beber. A diferença é que você pode viver a vida toda sem escrever. Até o fatídico momento que escreve. É uma endorfina. Ativa. Criativa. Sensitiva.  Escrever dá trabalho, mas traz prazer. Escrever poesia é beber dopamina das palavras. É êxtase.

Descobri, recentemente, esse poder hormonal gratuito. Escrever. Escrever poesia. Dia a dia. Pensar poesia. Viver poesia. Confesso...Foi mágico. Criar o mundo sem um mundo. Confinado. Trancado. Imaginar outro mundo. Outros mundos. Como se o confinamento fosse “celeste”, do olhar supremo, de cima, do todo. Um processo criativo de respirar poesia, comer poesia, me embriagar madrugada afora bebendo poesia.

Mas a poesia engavetada é egoísmo, até consigo mesmo. É um origami da mais bela ave amassada por meros papéis. Os pássaros, principalmente os imaginários, são feitos para voar. Voar é se mostrar. Primeiro ao vento, também um condutor imaginário, invisível, mas com uma força particular. Para o origami da poesia o vento é a energia, basta abrir as asas e voar. Voar pelos céus, invisível, até se mostrar.

Assim se forjou o Diário do Nada. Um pequeno origami apenas imaginário ganhando formas na dobradura das palavras, às vezes rimadas, musicais, outras descompassadas e até desconexas. Soltei esse pássaro de papel no invisível vento cybernético. Voou. Mas todo planar tem uma aterrissagem.

Esse aterrissar deixa de ser mero sonho de Ícaro e vira terreno, tem que se materializar para que toda a mágica dobradura dure. O abstrato começa a dar lugar para o concreto e o sonho da madrugada muda para um trabalho diuturno. Aquele desconexo tem que ser transformado em lógica, organizado, planejado e executado. Com o braçal do abraço.

Do escrever do etéreo, do sonhar poesia; o suar do dia a dia. Projetar. Compilar. Montar. Negociar. Vender sua ideia e desdobrar as dobras do origami fazendo a folha em branco tomar outra forma. Realizar. Deformar para nova forma. Organizar. Revisar. Mudar. Reinventar. Revisar. Até que aquele frágil pássaro de dobras imaginárias vire um concreto perpétuo. Um livro. Ufa! Acabou! Engano. Agora o frágil origami cresceu e precisa reaprender a sentir o vento, dominar novamente a força eólica e voar, como livro: Diário do Nada.

 

Ck 05/12/20

Empáfia argentina e enganação

Chiko Kuneski Existe uma piada da época em que não havia o politicamente correto que diz: “o melhor negócio do mundo é comprar um argent...