domingo, 29 de dezembro de 2013

Solitário som



 
A chuva na janela nem mesmo refresca
Mas embala a solidão madrugadora
Viçosa, calma e tênue, vem fresca
Avisando que não será duradoura
Mas tamborila, agradável, o vidro
Fechado para o mundo
Na sua madrugada de som surdo
Cai apenas, sonante
Como uma canção de ninar
Para a solidão e a insônia
Que que teimam nesse acordo absurdo

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O bisness futebolístico





O sorteio dos Grupos da Copa Libertadores de 2014 certamente terá duas leituras jornalísticas. Para os esquerdistas de plantão uma festa fútil, sem a participação do povo, num salão de mesas impecáveis, à quatro talheres e taças de cristal para os escolhidos, e ainda brindados pela apresentação de uma orquestra com instrumentos feitos com materiais recicláveis, vindos do seu lixo. A miséria, mais uma vez servindo aos poderosos.


Já os liberais dirão que é o espetáculo. O uso da orquestra com instrumentos musicais feitos de materiais reciclável mostra a preocupação de todo o planeta com o Planeta. Os cristais e os quatro talheres dão a tônica da importância do evento. O futebol é uma paixão Universal e, como tal, merece festejos imponentes, de acordo com sua importância na América Latina. É assim que se faz na Europa e nós temos que ser, pelo menos, parecidos com os europeus.


Da imagem sobra um som estranho. Garrafas pet, galões de plástico, madeiras rústicas, fazendo os cristais das mesas vibrarem como um idiofone, num espetáculo Broadway-circense. Fica a realidade. Cada vez mais o espetáculo do futebol é mais espetáculo e menos futebol.