quinta-feira, 23 de junho de 2016

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Nos zeramos a cada zero
Nossas antigas formas ficam

Segundo a segundo,
Cada virada, mais disformes

 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

domingo, 5 de junho de 2016

Nossos heróis

Cada vez que morre um famoso que marcou vidas; nasce um ídolo, um herói de carne e osso. Um mito materializado na fantasia de menino ou na lembrança de adulto. Vivemos dos mitos. Dos deuses criados. Dos heróis. Foi o dia de Muhammad Ali. O golpeador do convencional. Transgressor. Dançarino. Malhador a remoldar o retilíneo do duro vigor dos adversários.

Meu primeiro e grande herói tem nome de um deus grego: Dionísio, o deus agricultor das uvas e do vinho, mas também um representante não convencional da sociedade , do rompimento poder.  Na mitologia grega, o único deus filho de uma mortal. Até os deuses morrem. Os heróis são imortais.
Comecei falando de um ídolo do tubo, mas prefiro continuar com um herói que abraçava. Meu pai. Sem superpoderes, sem magia, sem ser guerreiro, mas com a maior virtude humana: festivo. Somente os festivos são transgressores. O ranço leva a mesmice. Ao comum. O ídolo midiático e meu herói palpável tinham isso em comum.
Festivo talvez devesse ser o maior adjetivo do herói terreno. Alegre. Honesto. Sensível. Pacífico, amigo e respeitador. Mesmo quando golpeava o ferro em brasa para moldar as formas.
Meu grande herói era apenas um metalúrgico. Um construtor de instrumentos que construíam sonhos. Desejos. Erguiam mundos. Um inventivo do duro metal retilíneo. Um idealizador tridimensional do plano. Simples, mas com o conceito do mais requintado escultor. Um moldador. Forjava a forma. Construía o forte.
Começou carregando-me nos ombros num momento mágico do menino apaixonado pelo futebol na conquista do tri, 1970. Nos ombros por não poder andar. Fez-me voar. Depois deu-me muletas, asas de aço construídas de sua curiosidade e seu conceitos de deus humano e de homem metalúrgico. Forjador. Deu-me a sabedoria conselheira. A alegria genética festiva, herdada pelo nome de um deus grego.
 
Foto do martelo artesanal me presenteado por meu pai Dionísio.
 

sábado, 28 de maio de 2016

O Jazz da bola

A nota solta no ar. Uma nota sonora. Outras notas. Como Jazz o som da bola. Largada no vazio. Despretensiosa.  Sobe. Voa. Escorrega. Contraria a gravidade. Aguda. Média. Grave. Rotativa. Translativa num eixo vertical. Uma nota.

O que encanta é o momento. O movimento. O som feito do silêncio. Da espera. Da angustia. Da nova nota. Que sempre vem. Chuá. A resposta sonora das redes. As redes gostam de tocar com as bolas. São jazzísticas. Harmônicas.
Ficam esperando o momento exato de compor a magia sonora. Da percussão do toque. Grave. Do roçar sibilado no movimento contínuo. Do agudo do lance. Do “background” da torcida extasiada pelos sons. Pelas junções.
Assim são as bolas. Adoradoras dos sopros geniais. Da criatividade. Da essência do movimento, calmo, sensual, fugaz ou visceral. As bolas não gostam do mesmo, do lateral, do esmo. São agudas como o bom jazz. Inquietas e inquietantes.

Lindo ver uma bola livre, no seu próprio giro de emoção. Uma bola solta pela imaginação da criança, que a adotou como companheira, do adolescente que se imaginou crescendo com ela, como companheira, do adulto, ainda com o gosto de criança. Vivendo com o sonho da companheira.
A bola sempre encantadora. Mágica. Imitação do globo terrestre. Uma nota solta e etérea, no espaço e no tempo. Mundialmente Universal.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Experiência


Mandaram-me encorpar
Encorpei
Mandaram-me crescer
Cresci
Mandaram-me aprender
Aprendi
Pedi para me ir
Mandaram-me ficar
Desobedeci
Já me tinha aprendido


 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A inquisição dos políticos

A perseguição dos honestos no Brasil virou obsessiva. Todos os políticos acusados por crimes “agiram estritamente dentro da Lei” e “nunca cometeram” quaisquer dos crimes que lhes foram, ou estão sendo, imputados. Foram ou continuam sendo vítimas de tribunais de exceção.

Collor, Lula, Dilma, Pimentel, Cunha, Renan e até Maluf são meros perseguidos por inimigos políticos. Cada um ao seu tempo. Mas sempre declarando agir “estritamente dentro da Lei.” Dura Lei.

Collor se disse perseguido por Lula, quando o PT mobilizou a militância para pedir seu impedimento. Perdeu o mandato. Voltou e tornou-se aliado do PT e está sendo novamente “acusado injustamente”. Lula se diz perseguido pelos que não suportaram “um operário” como presidente. Dilma acusa de “golpistas” os que a denunciam e vão julgar sua improbidade. Pimentel alega complô de quem perdeu a eleição.

Já Cunha tenta mudar o jogo e acusar os seus acusadores. Revanche. A mesma que o PT o acusa pelo pedido de impedimento de Dilma. Renan se diz tranquilo, nada será provado, pois nunca cometeu crime. Tem reputação intocável, segundo sua defesa.

Chegamos a Maluf. A prova contundente que ser honesto no Brasil é bastante perigoso. Sobrevive as acusações, processos e até pedidos internacionais de prisão por desvios de dinheiro público como a da princesa Odette, do Lago dos Cisnes. Com a leveza de sempre sustentar sua inocência.

Os desonestos do país são os pagadores de impostos de todas as profissões, os emprenderes, os investigadores, os procuradores, os promotores, os juízes. Os trabalhadores. São perseguidores dos políticos ilibados. Existe um grande complô nacional contra “a honestidade” na política.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Caverna contemporânea


Perdemos

A capacidade de ler

Nas mídias sociais

Navegamos imagens

Que dissocializam

O pensar;

A escrita;

Pelo olhar

Da não dita

Viramos prés

Inihistóricos

Na busca do passado

Pré-histórico

De comunicar no rabisco

Da imagem imaginária

Para o futuro

Somos gravuras encadernadas

Em coloridos binários

Da caverna tecnológica

Ilógica

Que não permite rodar

Por falta do conceito da roda

Que não deixa arder

Por desconhecer a chama

Que ignora o ler

Pela preguiça da escrita

Cada vez mais proscrita

 

terça-feira, 29 de março de 2016

Entre o vazio cheio e o cheio de vazio

Submergiu na maré


Vazante

Sabendo que dá pé
Deixando o olhar

Vigilante

A espera da nova maré
Que vem com a lua

                                    Crescente

Para boiar à praia
Aquecendo-se ao sol
Insurgente

sexta-feira, 18 de março de 2016

Verborragia do brasileiro


Poderia parar aqui com esse único verbo.  Mas foi tanta verborragia que não me cabe apenas um. Mentiram-me. Enganaram-me. Esculhambaram-me. Por fim, e não para porem fim, ridicularizaram minha inteligência.
Zombaram do que mais prezo. Minha capacidade intelectual. Tentaram extirpar meu discernimento como charlatões que dizem fazer transplantes de cérebros. Buscaram lobotomizar-me. Sem anestesia.

Tentaram e continuarão tentando. O lograr, sempre logrando. O mentir, sempre mentido. O enganar, sempre enganando. O ludibriar, sempre ludibriando. O ceifar aquele que ainda está pensando. Mas, no descuido, esqueceram do principal verbo: anestesiar.

Agora acordei. Abri os olhos .Respirei fundo. Saí da letargia, que agia.
Agora...
... O Reagente sou eu.

Texto de Chiko Kuneski

quinta-feira, 10 de março de 2016

Volver a frente


O conceito de "direita e esquerda" (ordem alfabética) está ultrapassado pela estrutura econômica, e portanto,  política, que rege o século XXI. Acabou o espaço do maniqueísmo ideológico, usado tanto por um quanto por outro, na nova revolução tecnológica. A velocidade da informação e do seu acesso globalizou as ideias, os conceitos. Acabou expurgando o anacronismo, que se alimentava da demora do movimento das novas teorias sociológicas.

Em alguns países ainda persiste tal anacronismo do pensamento de setores que se apoderaram do Estado “pai” e se empoeiraram dele etereamente, como um vício do pó que cai de suas ideias. Viciados, acham que o Estado é o messias alucinógeno e salvador. Querem detê-lo (no sentido de ter pra si e não parar) custe o que custar. A fuga da realidade que contraria a realidade.

Perderam a capacidade criativa e inovadora para a reprodutiva. Replicadores do passado com palavras de ordem pretéritas e preteridas pelo pensamento contemporâneo mundial. Vomitam vociferações. Vomitam rótulos quando esses lhe servem ideologicamente. Vomitam porque não conseguem entender novos sabores democráticos. Vomitam sempre o anteontem.

O vômito esvazia. Provoca insaciabilidade. Angustia. Mas ainda existem os que preferem continuar buscando o alimento ideológico que só os faz vomitar, sem alimentar. São os dos conceitos com preconceito.  Os arraigados. Os que preferem a mama.