domingo, 3 de setembro de 2017

Amantes


A lua namoradeira
Mostra escondendo

Atrás do sol descendo

Rezando feito freira
Pela transparência

Da límpida janela
Para flertar-me

Através dela



Platonicamente

domingo, 11 de junho de 2017

Brasileiro


Chutei o balde
 
Vazio
 
Rolou e rolou
Mas nada aconteceu
A não ser o barulho
Que sabia ser finito
Levantei o balde
 
Vazio
 
Aprumei na base
E continuei como o balde

Vazio

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Cyber solidão


 
As redes sociais são frias
Vazias

Plenas na sua incipiência

 


Meros espelhos de sala de espelhos

Velhos
De um circo universal de horrores




As redes sociais são vazias

Na reprodução do óbvio

Na sensatez do insensato
No inexato
Dos horrores da sala de espelhos


As redes sociais são vadias
Espelhadas no aço

Frias
Dicotomicamente cheias

Individualmente,
Mas... vazias

quinta-feira, 23 de junho de 2016

00:00:00


 
 
 
 

Nos zeramos a cada zero
Nossas antigas formas ficam

Segundo a segundo,
Cada virada, mais disformes

 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

domingo, 5 de junho de 2016

Nossos heróis

Cada vez que morre um famoso que marcou vidas; nasce um ídolo, um herói de carne e osso. Um mito materializado na fantasia de menino ou na lembrança de adulto. Vivemos dos mitos. Dos deuses criados. Dos heróis. Foi o dia de Muhammad Ali. O golpeador do convencional. Transgressor. Dançarino. Malhador a remoldar o retilíneo do duro vigor dos adversários.

Meu primeiro e grande herói tem nome de um deus grego: Dionísio, o deus agricultor das uvas e do vinho, mas também um representante não convencional da sociedade , do rompimento poder.  Na mitologia grega, o único deus filho de uma mortal. Até os deuses morrem. Os heróis são imortais.
Comecei falando de um ídolo do tubo, mas prefiro continuar com um herói que abraçava. Meu pai. Sem superpoderes, sem magia, sem ser guerreiro, mas com a maior virtude humana: festivo. Somente os festivos são transgressores. O ranço leva a mesmice. Ao comum. O ídolo midiático e meu herói palpável tinham isso em comum.
Festivo talvez devesse ser o maior adjetivo do herói terreno. Alegre. Honesto. Sensível. Pacífico, amigo e respeitador. Mesmo quando golpeava o ferro em brasa para moldar as formas.
Meu grande herói era apenas um metalúrgico. Um construtor de instrumentos que construíam sonhos. Desejos. Erguiam mundos. Um inventivo do duro metal retilíneo. Um idealizador tridimensional do plano. Simples, mas com o conceito do mais requintado escultor. Um moldador. Forjava a forma. Construía o forte.
Começou carregando-me nos ombros num momento mágico do menino apaixonado pelo futebol na conquista do tri, 1970. Nos ombros por não poder andar. Fez-me voar. Depois deu-me muletas, asas de aço construídas de sua curiosidade e seu conceitos de deus humano e de homem metalúrgico. Forjador. Deu-me a sabedoria conselheira. A alegria genética festiva, herdada pelo nome de um deus grego.
 
Foto do martelo artesanal me presenteado por meu pai Dionísio.
 

sábado, 28 de maio de 2016

O Jazz da bola

A nota solta no ar. Uma nota sonora. Outras notas. Como Jazz o som da bola. Largada no vazio. Despretensiosa.  Sobe. Voa. Escorrega. Contraria a gravidade. Aguda. Média. Grave. Rotativa. Translativa num eixo vertical. Uma nota.

O que encanta é o momento. O movimento. O som feito do silêncio. Da espera. Da angustia. Da nova nota. Que sempre vem. Chuá. A resposta sonora das redes. As redes gostam de tocar com as bolas. São jazzísticas. Harmônicas.
Ficam esperando o momento exato de compor a magia sonora. Da percussão do toque. Grave. Do roçar sibilado no movimento contínuo. Do agudo do lance. Do “background” da torcida extasiada pelos sons. Pelas junções.
Assim são as bolas. Adoradoras dos sopros geniais. Da criatividade. Da essência do movimento, calmo, sensual, fugaz ou visceral. As bolas não gostam do mesmo, do lateral, do esmo. São agudas como o bom jazz. Inquietas e inquietantes.

Lindo ver uma bola livre, no seu próprio giro de emoção. Uma bola solta pela imaginação da criança, que a adotou como companheira, do adolescente que se imaginou crescendo com ela, como companheira, do adulto, ainda com o gosto de criança. Vivendo com o sonho da companheira.
A bola sempre encantadora. Mágica. Imitação do globo terrestre. Uma nota solta e etérea, no espaço e no tempo. Mundialmente Universal.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Experiência


Mandaram-me encorpar
Encorpei
Mandaram-me crescer
Cresci
Mandaram-me aprender
Aprendi
Pedi para me ir
Mandaram-me ficar
Desobedeci
Já me tinha aprendido


 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A inquisição dos políticos

A perseguição dos honestos no Brasil virou obsessiva. Todos os políticos acusados por crimes “agiram estritamente dentro da Lei” e “nunca cometeram” quaisquer dos crimes que lhes foram, ou estão sendo, imputados. Foram ou continuam sendo vítimas de tribunais de exceção.

Collor, Lula, Dilma, Pimentel, Cunha, Renan e até Maluf são meros perseguidos por inimigos políticos. Cada um ao seu tempo. Mas sempre declarando agir “estritamente dentro da Lei.” Dura Lei.

Collor se disse perseguido por Lula, quando o PT mobilizou a militância para pedir seu impedimento. Perdeu o mandato. Voltou e tornou-se aliado do PT e está sendo novamente “acusado injustamente”. Lula se diz perseguido pelos que não suportaram “um operário” como presidente. Dilma acusa de “golpistas” os que a denunciam e vão julgar sua improbidade. Pimentel alega complô de quem perdeu a eleição.

Já Cunha tenta mudar o jogo e acusar os seus acusadores. Revanche. A mesma que o PT o acusa pelo pedido de impedimento de Dilma. Renan se diz tranquilo, nada será provado, pois nunca cometeu crime. Tem reputação intocável, segundo sua defesa.

Chegamos a Maluf. A prova contundente que ser honesto no Brasil é bastante perigoso. Sobrevive as acusações, processos e até pedidos internacionais de prisão por desvios de dinheiro público como a da princesa Odette, do Lago dos Cisnes. Com a leveza de sempre sustentar sua inocência.

Os desonestos do país são os pagadores de impostos de todas as profissões, os emprenderes, os investigadores, os procuradores, os promotores, os juízes. Os trabalhadores. São perseguidores dos políticos ilibados. Existe um grande complô nacional contra “a honestidade” na política.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Caverna contemporânea


Perdemos

A capacidade de ler

Nas mídias sociais

Navegamos imagens

Que dissocializam

O pensar;

A escrita;

Pelo olhar

Da não dita

Viramos prés

Inihistóricos

Na busca do passado

Pré-histórico

De comunicar no rabisco

Da imagem imaginária

Para o futuro

Somos gravuras encadernadas

Em coloridos binários

Da caverna tecnológica

Ilógica

Que não permite rodar

Por falta do conceito da roda

Que não deixa arder

Por desconhecer a chama

Que ignora o ler

Pela preguiça da escrita

Cada vez mais proscrita