quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ateus, com graça, sem deus


No ato à-toa

Deu(s)e a teia

Tecida à loa

Do desacreditar

No sino que soa

pra castigar

Criou-se Atea


Atea Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, entidade que, conforme a Revista Isto É, acaba de ser criada no Brasil para dar visibilidade e pedir respeito a quem não tem . Entidade pretende “garantir consideração social aos descrentes e aumentar a autoestima” dos que não creem em deus.

Eu não estou fazendo apologia à Atea, apenas informando, jornalística e poeticamente, sua existência.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Move (mo) mentos

No fim de tudo

Tudo está findo

No indo e vindo

sábado, 24 de janeiro de 2009

Tem gato no Bolsa

Billy é o nome

Mas não de home

É alcunha de um gato

De um felino esperto

Que com dinheiro some

E põe no bolso

A parcela da bolsa

Bolsa Família do pobre

Billy é um gato nobre

Registrado com sobrenome

Silva Rosa

Com endereço de home

Todo prosa

Recebia do governo

Uma parcela mensal

Billy da Silva Rosa

Agora quer Bolsa Animal




Veja a notícia veiculada no Diário Catarinense do dia 24 de janeiro de 2009

FRAUDE

Billy, um gato com quatro anos de idade, foi cadastrado no Bolsa Família como Billy da Silva Rosa, e recebeu durante sete meses o benefício do governo, R$ 20 por mês, no município de Antônio João, a 377 quilômetros de Campo Grande (MS).A descoberta aconteceu quando o agente de saúde Almiro dos Reis Pereira foi à casa convocar Billy para a pesagem obrigatória no posto de saúde, conforme exigência do programa, e a dona da casa disse ao agente: “Mas o Billy é meu gato”.
Ela não sabia que o marido, Eurico Siqueira da Rosa, coordenador do programa no município, na divisa com o Paraguai, recebia o benefício do bichano e de mais dois filhos que não existem. As “crianças” recebiam mensalmente R$ 62 cada desde o início de 2008, quando Eurico assumiu o cargo.
O golpe foi identificado em setembro do ano passado, quando os três beneficiários estavam sendo convocados pela emissora de rádio da cidade para comparecerem ao posto de saúde. Eurico ouviu o apelo e tentou consertar a fraude, retirou o gato do cadastro e colocou o sobrinho Brendo Flores da Silva. Foi descoberto, exonerado no início desta semana a bem do serviço público e está sendo processado pelo Ministério Público Estadual.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Fim da poesia

Está resolvido

Vou à prostituição

Depois não me julguem

Por tal exposição

Já que gostam do explícito

Meu implícito sem ação

Se rende, se vende

Ao sabor da cotação

Pra entender, selecione tudo, copie para o Word e mude a fonte, a escolha é sua.

sábado, 17 de janeiro de 2009

O novo de novo

De que me cabe escrever o já escrito?

De que me cabe escrever o dito?

De que me cabe? Escrever o não proscrito
!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

domingo, 11 de janeiro de 2009

Somos todos doentes?



Androaldo já nascera doente. Sete meses. Mas a parteira garantiu que seria um menino forte. Avisou:

- Que sempre tenha alguém lhe cuidando. Isso é fundamental.

E assim foi.


Aandroaldo, uma homenagem ao avô Aldo e o prefixo de masculinidade para não o usar neto, já que o pai era júnior, compôs o nome, sempre estava cercado por "alguens". Nunca sozinho. Acostumou-se.

Sua vida era marcada por duas coisas inseparáveis: as enfermidades e alguém ao seu lado para dividi-las. Que graça teria ser doente solitário. Sofridos sempre precisam dos apiedados. Os hipocondríacos usam as doenças engendradas para ter atenção. Esse era o segredo de Androaldo.


Já no peito, fartava-se das mamas da mãe e, mesmo depois de vários arrrotos de alívio materno, quando deitado a dormir, caia no choro com cólicas. Sabia da solidão interminável das três horas sem a presença da mãe. Chorava a dor não sentida para chamar atenção. A principal doença dos hipocondríacos é a solidão.

Quando criança, Androaldo ganhou um irmão. Pior para os dois. Primeiro queria exterminar a concorrência. As cólicas chamavam mais atenção que suas intermináveis dores de barriga. Os choros eram mais agudos. Suas doenças menores. Mas todos crescem, tudo muda.


O irmão mais novo passou a ser seu companheiro de infortúnios. Não suportava uma diarréia sem o irmão ao seu lado, assistindo o irmão sentado à privada, agora coletiva, a compadecer das suas caretas coléricas. Para que servem as pessoas, principalmente as mais próximas, se não para sofrerem com a gente.


Androaldo inventava as doenças. Até mesmo quando as tinha. Valorizava. Era importante um motivo para que ficassem a sua volta. Vivia aos médicos sem que nenhum diagnosticasse realmente sua enfermidade. Gostava de contar para os amigos dos exames, detalhadamente, dos laudos. Fazia os a sua volta sofrerem com suas doenças. Até que alguém reagiu:

- Androaldo, deixa eu sofrer minhas dores. Nós os hipocondríacos sabemos que elas são insuportáveis.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Inveja

Queria caetanear
Brincar com palavras
Quem sabe macunaimanear
Deitar na rede
Aprender a ser chico
E compor em dois nexos
Nos côncavos e convexos
De Caetano
Na preguiçosa rima
De Macunaíma
Na palavra rica
Só chica

domingo, 4 de janeiro de 2009

Holo cáustico






Na foto,
palestino
carrega
morto
pelos
ataques
de Israel
à Gaza


Quando a natureza pune os homens
Com a morte
Somos as vítimas de nós mesmos

Mas quando o homem pune o outro
Com a morte
Somos nós mesmos

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A lógica lusitana da nova ortografia




Nesse período de festas e de mudança de ano, com quase todas as nossas preocupações com aquelas promessas que todos sabemos não vamos levar a sério além de janeiro, falar da alteração ortográfica para unificar a língua portuguesa pode até parecer rabugice minha, mas não é. As mudanças, assim como as promessas de ano novo, entraram em vigor logo na ressaca do primeiro dia do ano para piorar ainda mais a dor de cabeça.

Assim, sem mais nem menos, acordamos em 2009 com um “de volta para o futuro” na re-inclusão (espero não estar ferindo a reforma) das letras K,W, Y. Os tipos foram banidos do alfabeto brasileiro na década de 30 do século passado, em pleno Estado Novo. Será que a volta representa um novo Estado? Bem, digamos apenas que internacionalizaram nosso alfabeto devolvendo-o para as 26 letras usadas internacionalmente, pelo menos no ocidente.

Acabou o “trema”. O fim da crônica de uma morte anunciada pelos vestibulandos e usuários da Internet, que há anos nem se quer sabiam que ele existia. Estava moribundo e, enfim, desligaram o respirador artificial. Mas, se é para eutanasiar moribundos, porque o crase (sim, é masculino como o trema, é acento) continua sendo mantido vivo por aparelhos. O crase agoniza na língua faz décadas e não aproveitaram essa piscada de olhos do Vaticano para deixá-lo morrer junto com o amigo trema.

Agora, perfeitas mesmo ficaram as mudanças para o uso do hífen (com acento). Uma perfeita lógica “lusitana”. Alguns prefixos deixam de exigir o hífen quando diante de “R” e “S”, com as palavras ganhando as letras dobradas na nova ortografia. Por exemplo: “auto-retrato” fica autorretrato, “anti-social” muda para antissocial e “mini-reforma” se reforma para minirreforma. Já, e não me perguntem o motivo, os prefixos “hiper”, “super” e “inter” na frente de palavras que iniciam com “R” ganham o hífen. Só para exemplificar “inter-regional”. Pela lógica, não seria mais usual e muito mais fácil manter-se (enquanto ainda posso usar a forma) as letras dobradas para todos os prefixos?

Mas lógica não se discute, lógico. Nem a fôrma (que continua com o acento diferencial, que aliás caiu em outras palavras como “pelo”, “para”, “pera”, “polo” etc) da forma. Desta forma, vá se acostumando. Ano novo, alfabeto novo, ortografia nova e, pelo andar da carruagem (nada contra D. João VI), um sotaque novo: - ora, pois.